Adoração pelas marcas. Aprendendo com quem sabe!

“Um produto mágico, revolucionário por um preço inacreditável de $499 dólares”. É o que diz o site da Apple.

Para o lançamento de seu novo dispositivo a Apple fez questão de fechar suas lojas por uma noite e colocar seus adoradores em fila diante da “meca”. A loja da Apple, que funciona normalmente 24 horas em um dos locais mais nobres de New York e a poucos passos do Central Park, precisava amanhecer evidenciando uma das maiores qualidades da Apple: o marketing.

Uma verdadeira estratégia de guerrilha é montada para o lançamento. Nesta loja específica em New York, por exemplo, centenas de funcionários que mais pareciam promoters embebedados de energéticos, vestiam camisas azuis “smurf” e incitavam gritos de adoração a cada 15 minutos, no mais conhecido estilo animador de auditório. Estes mesmos malucos eram responsáveis por formar cordões humanos para organizar uma fila estrategicamente alocada para se tornar modelo da imprensa mundial. Parece que funciona, quanto mais perto, mais carros de imprensa vejo estacionado. Fox News, CNN, BCC e pasmem até a Globo esta com um carro alí na esquina. A festa esta completa.

Na fila, adoradores ou consumidores com dinheiro no bolso, se transformam em personagens de noticiários pelo mundo, como alguém pode ter vivido tantos anos sem um aparelho como este? Geeks de diferentes partes do mundo madrugam na fila fria da cidade, apreensivos, sem ter certeza se conseguirão comprar seus aparelhos.

Dentro da loja grandes mesas de demonstração do produto, com um “funcionário-apresentador” reúnem geeks, que depois de horas de espera podem finalmente navegar e estudar o aparelho. Enquanto o apresentador fala bonito e, com microfone, exibe as funcionalidades do brinquedo é notável que ninguém esta prestando atenção. Todos fuxicam por si só, talvez se Steve Jobs estivesse lá alguém iria prestar atenção no “funcionário-apresentador”.

O resultado são milhões em mídia espontânea, felicidade de consumidores que aguardaram na fila e agora se sentem importantes por serem os primeiros proprietários do iPad e finalmente pauta para toda imprensa. Faça uma busca no Google e facilmente você vai encontrar centenas de vídeos, relatos emocionantes e comoção na saga pela compra.

Por mais que fosse possível ir à mesma loja por volta das 16h e comprar o mesmo aparelho sem fila, sem adrenalina e pelo mesmo preço, a Apple sabe bem como funcionam as coisas, nada supera o poder do oba-oba.

Ignore o fato do aparelho não ser compatível com os mais práticos padrões, nada de USB, entrada para cartões de memória ou mesmo um simples vídeo em FLASH. Mas é bonito, é verdade muito bonito…

O que podemos aprender com isso? A lição que fica é que devemos procurar criar uma atmosfera de adoração, descobrir como se vender de forma que suas fraquezas sejam pequenas diante da “mágica” vendida.

Artigo originalmente publicado na Revista Wide, da Arteccom.
Coluna de Empreendedorismo, por Kauê Linden.

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